Embaixador António Martins da Cruz destaca desafios da diplomacia das Grandes Potências em conferência no Instituto da Defesa Nacional

O Presidente da OVIA, Embaixador António Martins da Cruz, foi orador convidado na conferência “Advanced Diplomacy for Peace, Security and Defence”, promovida pelo Instituto da Defesa Nacional (IDN), em Lisboa, no dia 3 de novembro.

Na sua intervenção, intitulada “Great Powers Diplomacy and Strategic Rivalry”, o Embaixador Martins da Cruz analisou com profundidade as dinâmicas atuais da política internacional, marcadas pela crescente rivalidade entre as grandes potências Estados Unidos, China e Rússia, e os impactos geoestratégicos que daí decorrem para a Europa e o mundo.

Sublinhando que a rivalidade entre as grandes potências “não é apenas uma situação atual, mas uma condição normal da história”, o Presidente da OVIA defendeu que a defesa dos interesses nacionais deve ser o eixo central da política externa de qualquer país, recordando as lições clássicas de Lord Palmerston e Henry Kissinger sobre o papel do estadista na definição do interesse nacional.

Entre os temas abordados, destacou-se a análise dos novos desafios à estabilidade internacional, incluindo os conflitos na Ucrânia e em Gaza, as tensões no Indo-Pacífico, a crescente influência da China e da Rússia em África e na América Latina, e o papel da Europa num cenário global em rápida transformação.

O Embaixador apontou ainda quatro tendências principais que moldam o atual sistema internacional:

  • A aproximação estratégica entre a Rússia e a China;
  • A redefinição da posição dos Estados Unidos face à Europa e à Ásia;
  • A perda de estabilidade e peso político da Europa;
  • E a falta de uma estratégia de saída para a guerra na Ucrânia, que considerou ser “fundamentalmente um problema europeu”.

Na parte final da sua intervenção, o Embaixador Martins da Cruz alertou para a “perda de influência da Europa num mundo em que novas potências regionais e o chamado Sul Global procuram afirmar políticas externas não alinhadas”, reforçando a necessidade de reforçar a autonomia estratégica europeia, sem pôr em causa os vínculos transatlânticos e o papel da NATO.

Referindo-se à reflexão recente de Mario Draghi sobre o papel da Europa como “espectadora” da cena internacional, o Presidente da OVIA concluiu apelando à ação:

“Devemos transformar o ceticismo em ação. As nossas reflexões e decisões devem traduzir-se em medidas concretas para que a Europa volte a ser um ator global relevante.”

A conferência no IDN contou com a participação de especialistas nacionais e internacionais nas áreas da diplomacia, defesa e segurança, consolidando o debate sobre os desafios estratégicos que marcam o início da nova década e reforçando o papel do Embaixador António Martins da Cruz como uma das vozes mais experientes e respeitadas da diplomacia portuguesa.

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